"O tempo é valiosíssimo, mas não custa nada, podemos fazer o que quisermos com ele, menos possui-lo, podemos gasta-lo, mas não podemos guarda-lo. Quando o perdemos não podemos recupera-lo, "passou e pronto.!".

31.08.09

 

Tosse, gripes, resfriados... Chega o frio e com ele aumenta a incidência das doenças respiratórias. Há muitas explicações para o facto de sermos alvo dessas doenças com maior freqüência no inverno.

Segundo a professora e coordenadora do programa de pós-graduação em Pneumologia da Unifesp, a pneumologista Ana Luisa Godoy Fernandes, no inverno há menos circulação de ar, porque as pessoas costumam fechar as janelas para escapar do frio, o que facilita a transmissão de infecções virais tais coma gripes e resfriados comuns.

“O resfriamento do ar também pode causar liberação de mediadores em pacientes asmáticos, com a diminuição das chuvas, há uma maior quantidade de poluentes acumulados no ar, agravando a condição desencadeante de broncoespasmo e inflamação das vias aéreas”, explica a médica.

 

Mesmo ficando mais frágeis, não precisamos nos esconder das baixas temperaturas. Segundo o conselheiro da Confederação Brasileira de Atletismo e fisiologista do exercício da equipa carioca de corrida de rua e cross country Pé de Vento, Henrique Viana, o frio do inverno não deve interferir no planeamento dos treinos. “Inclusive no frio, os corredores tendem a melhorar o rendimento, pois a temperatura ambiente se torna agradável ao exercício. Quando em actividade o indivíduo é capaz de produzir até dez vezes mais calor do que produz no metabolismo basal (de repouso), se a temperatura do ambiente for mais baixa que a interna, tende a ocorrer um equilíbrio. Diferentemente no calor, em que a tendência de superaquecimento é grande”, explica Viana.

De acordo com o médico, não existe uma regra para correr no frio. O que vale na hora de escolher o local e o horário da corrida é mesmo o bom-senso. “Evitar os extremos é o mais importante. Por exemplo, não é indicado treinar em locais totalmente fechados e nem ao ar livre em locais com temperaturas muito baixas, que pode acarretar, nos casos mais graves, em hipotermia.”

 

A hipotermia ocorre quando o corpo perde muito calor para o meio ambiente, diminuindo a temperatura corporal central. Os sintomas variam desde sentir frio e arrepios até letargia, alucinação, confusão mental, nos casos em que a hipotermia se classifica como branda ou moderada.

“Se a temperatura do corpo (que varia entre 36,5 ºC a 37 ºC) estiver abaixo de 32º, o que é bem grave, pode ocorrer queda da pressão arterial, edema pulmonar e até uma parada respiratória, levando à morte”, diz Viana.

 

 

Enfrente o frio correndo

 

Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de dificuldades respiratórias. Na maioria dos casos, são conseqüência de doenças bem comuns, como gripe, resfriado, rinite alérgica, sinusite, bronquite e asma, que entre outras causas, têm relação directa com a poluição do ar que respiramos.

 

A exposição a factores de risco como pólen, mofo, ácaros, fumaça de cigarro, poluentes do ar, gases químicos, inseticidas, poeiras e até determinados alimentos (para algumas pessoas, frutos do mar ou alimentos muito condimentados) manda alertas para a medula óssea, que passa a produzir em larga escala células de defesa.

 

Quando a medula decodifica que o sistema respiratório está sofrendo a invasão de agentes agressores, envia células que provocam a inflamação das vias aéreas. As paredes incham e dificultam a passagem do ar, e os músculos dos brônquios ficam sensíveis, contraindo-se a qualquer estímulo.

 

As infecções produzem um processo inflamatório que é muito semelhante ao mecanismo da reação alérgica. “O stresse emocional e o exercício estimulam liberação de mediadores que deixam as mucosas mais sensíveis e permitem a contração da musculatura que reveste os brônquios (broncoespasmo), dificultando a passagem do ar para os pulmões”, explica o fisiologista do exercício Paulo Zogaib, do Cemafe (Centro de Medicina da Actividade Física e do desporto) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Mas ter problemas respiratórios não é empecilho para praticar actividades físicas. Muito pelo contrário, quando bem orientadas, são até indicadas e colaboram para o restabelecimento físico do indivíduo. “Costumo indicar a prática desportiva, principalmente a corrida e a natação, aos meus pacientes, pois também tenho rinite alérgica e senti que a intensidade e a freqüência de minhas crises diminuíram muito depois que aderi à corrida”, conta o otorrinolaringologista Cristiano Carneiro, doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

 

 

 

PARA CORRER NO FRIO

 

-Proteja o corpo com roupas especiais para o inverno. A região do corpo que merece maior atenção é o peito, por reunir órgãos vitais

 

-As extremidades do corpo, como pés e mãos, são muito sensíveis ao frio, procure protegê-las com luvas e meias

 

- Cabeça e pescoço merecem também atenção especial. A cabeça é uma região muito vascularizada, que perde bastante calor. Use gorro ou boné, sempre de tecidos respiráveis

 

-Passe manteiga de cacau ou algum produto semelhante nos lábios para evitar rachaduras

 

-Use várias camadas de roupa quando for correr e vá retirando, uma a uma, à medida que o corpo for aquecendo

 

- Se você está com roupa suficiente para não sentir frio parado antes da corrida, provavelmente está com muita roupa para correr e irá sentir calor durante o treino ou prova

 

- Faça um bom aquecimento. Trotar de 10 a 15 minutos, a 50% do VO2 máx é importante para preparar o organismo, além de equilibrar a respiração

 

- Para evitar infecções respiratórias, não treine “outdoor” em dias muito secos e com muita poluição. Prefira a passadeira do ginásio também nos dias muito frios

 

-Alongue e aqueça o suficiente para deixar a temperatura do corpo agradável para iniciar a actividade

 

-Evite o consumo de álcool, pois aumenta a vasodilatação e, com isso, aumenta também a perda de calor

 

-Vista roupa seca assim que terminar o treino. Roupa e corpo úmidos de suor aumentam o risco de hipotermia, pois o valor isolante fica comprometido e a humidade da pele facilita a perda de calor por condução, convecção e evaporação

 

-Não esqueça da hidratação. Mesmo no inverno, é necessária a ingestão de água antes, durante e após os exercícios

 

- Repor as energias gastas pelo exercício ingerindo carbohidratos também é importante no inverno

 

- Para os asmáticos, antes de treinos intensos e competições, é importante usar as medicações preventivas (broncodilatadores e antiinflamatórios), sempre com prescrição médica.

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publicado por Zé às 20:44

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